Bom, eu me sinto à vontade para fazer desse espaço aqui um caderno de reflexões sobre empreendedorismo e a forma como andamos executando estratégias de comunicação e marketing.

Hoje o tema do post é algo bem delicado. E aí, em se tratando de comunicação autêntica, nós temos ‘permissão’ de nos mostrar vulneráveis nas nossas plataformas digitais ou continuamos exibindo vidas perfeitas e mentalidades imbatíveis rumo ao sucesso?

Antes de começar, eu já deixo um convite. Comenta aqui no post: qual é a sua opinião sobre o tema?

Bom, estamos na era dos escândalos, na era da exposição, do oversharing. As pessoas querem fazer parte da sua vida, querem se sentir conhecedoras da sua pessoa, mesmo que apenas digitalmente. Então, se você apenas pensar no que rende alcance e engajamento, é batata responder a essa pergunta: dê “ao povo” o que ele quer.

Por exemplo, não é à toa que selfies são as fotos mais curtidas no Instagram. Também não é à toa que títulos de vídeos no Youtube que falam sobre experiências pessoais intensas, traumáticas ou problemas sérios dos respectivos Youtubers são os títulos que mais costumam atrair a galera – tanto que são utilizados como click baits (iscas de cliques, títulos que não refletem necessariamente o conteúdo do vídeo).

E olha, você deve mesmo mostrar um lado mais humano por trás da sua marca, ainda que ela não seja uma marca pessoal, construída sobre seu nome. Isso é uma tendência na comunicação (que reflete a nossa tendência humana de querer o tal oversharing e exposição) e grandes marcas já fazem isso.

Como?

1 – Mostram o rosto e a história das suas equipes, dos seus funcionários.

Por exemplo, na Reserva os vendedores são treinados para se apresentar e construir uma relação mais personalizada com cada cliente. Assim o cliente não só compra na Reserva. Ele compra “com o vendedor José” na Reserva.

Um outro exemplo é a forma como o Hotmart tem produzido conteúdo na internet. A equipe do Hotmart tem se apresentado e interagido com a audiência de várias formas, através de vídeos, transmissões ao vivo, nos próprios eventos. Os produtores digitais com contas maiores têm seus próprios gerentes de conta e são convidados a conhecerem a sede e os bastidores da empresa, em Belo Horizonte.

2 – Registram em suas embalagens a história do produto e a história dos fornecedores das matérias-primas.

Eu amo a cerveja Colorado Appia (aqui estou eu, fazendo um oversharing para me conectar com quem curte uma cervejinha). No verso do rótulo, a empresa colocou o nome de um suposto apicultor, extrator do mel que é adicionado à fórmula da cerveja.

Não só a Colorado faz isso, mas outras marcas têm embarcado na tendência de mostrar que valorizam os produtores das suas matérias-primas. Isso faz com que você se conecte com o gatilho mental da história, além de personalizar e humanizar o rosto da marca. Também gera empatia e emoção, especialmente se você tem como valor pessoal a valorização de qualquer trabalho humano.

Isso pode gerar problemas? Interessante dizer que sim. A empresa de sucos Do Bem enfrentou questionamentos sobre a veracidade das histórias e origens que colocava nos versos das suas embalagens. Até que ponto eram verdadeiras ou apenas contos de fadas publicitários? Outra marca que enfrentou esses mesmos questionamentos foi a Diletto.

3 – Registre os bastidores do seu processo criativo – e fale sobre as agruras e desafios superados.

Falar sobre o que acontece por trás das cortinas do teatro. Isso cria, alimenta e satisfaz o gatilho mental da curiosidade. Também faz com que a sua audiência se sinta ainda mais parte do universo e da cultura da sua marca (claro, se o universo da sua marca for algo compatível com os valores do seu cliente, algo que ele queira conquistar para a vida dele).

Por exemplo, registrar bastidores das reuniões de equipe. Mostrar nos Stories do Instagram como você prepara os bolos e doces que entrega. Fazer VLOGs no Youtube contando um dia do seu trabalho ou um dia de viagem.

Não só os bastidores interessam aqui: o “momento sincerão” sobre a sua relação com o empreendedorismo também é interessante de ser exibido. Mas é aqui que voltamos ao tema do post.

Vem comigo.

Existe uma diferença entre:

“Empreender é difícil para cacete, já pensei em desistir várias vezes, eu já quebrei e tive que reconstruir tudo”

e

“Empreender é muito difícil e por isso estou muito triste, muito mal e não vou entregar os produtos e serviços no prazo”

(apenas pense no seu cliente lendo/escutando isso…)

ou ainda

“Empreender é muito difícil, vivo sem dinheiro”

(agora pense no seu cliente em potencial lendo isso…)

ou o remix

“Eu falo isso porque sou autêntica, empreender é difícil, eu tenho meus momentos, vocês precisam respeitar isso”

Se o objetivo da comunicação mais humana e mais autêntica é justamente conectar mais, aproximar mais… porque raios você vai dizer/escrever essas bodegas?

Pior ainda: o que te faz pensar que ‘ser autêntica’ é desculpa para não prestar seu serviço direito?

E não é só eu quem digo isso para você. Seth Godin, um dos grandes nomes atuais do marketing, escreveu em um dos seus novos livros, “This is Marketing”, o seguinte:

O outro lado do marketing – o lado realmente eficiente – é sobre compreender a visão de mundo dos seus clientes, os desejos dos seus clientes, de forma que você possa se conectar com eles. É focado em fazer com que seus clientes sintam sua falta quando você está ausente, em entregar mais do que as pessoas esperam quando elas confiam em você.

Esse lado do marketing procura voluntários e agentes, não vítimas.

O que eu quero dizer aqui, embora seja polêmico para quem curte chorar pitangas e dizer que isso aproxima as pessoas, não é um convite à glamourização do empreendedorismo.

Longe disso.

Mas existe um meio termo entre o discurso da glamourização do empreendedorismo e o discurso da vitimização do empreendedor – e este último afasta da sua empresa os clientes com poder de compra.

Simples assim: se você é vítima das suas próprias situações, como eu – cliente – posso esperar que você tenha força e inteligência para resolver meus problemas e atender minhas necessidades?

Evite esse tipo de oversharing nas mídias sociais.

Melhor ainda: mude seu modelo mental e evite esse tipo de pensamento por completo.

Quer continuar a chorar suas pitangas na internet? Excelente, nada contra. Mas esteja disposta a pagar o preço dessa ‘autenticidade’.

Se você quer saber como construir uma autenticidade positiva para o posicionamento da sua marca, relevante para conectar o seu negócio à mente do seu cliente, afastando a concorrência…

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P.S.: que tal um outro post, mostrando o outro lado: a glamourização da vida de empreendedor como gatilho de marketing? Comenta aqui no post para conversarmos sobre esse tema.